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Publicado em 6/3/2026 às 19h00

LibreOffice questiona escolha da União Europeia por utilizar Excel em consulta pública

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Transtornos com Formatos Proprietários

A Document Foundation enviou à Comissão Europeia uma carta aberta criticando o uso exclusivo do formato .xlsx do Excel em uma consulta pública. A fundação defende a adoção de padrões abertos para facilitar a compatibilidade com software livre, como o LibreOffice.

A exigência da Comissão Europeia de um formato proprietário vai de encontro às diretrizes de soberania digital e neutralidade tecnológica que têm sido promovidas no bloco. Isso levanta a questão da dependência de grandes empresas de tecnologia estrangeiras e da necessidade de adotar soluções mais acessíveis e inclusivas.

A implementação real do formato .xlsx pela Microsoft, apesar de ter sido aprovado como padrão, muitas vezes não segue as especificações à risca. Isso pode prejudicar a compatibilidade dos arquivos, impactando a experiência de uso de softwares alternativos como o LibreOffice.

Para resolver esses transtornos, a Document Foundation sugere a disponibilização de formulários em formato .ods, padronizado pela ISO, visando garantir acesso universal e sem custos. Além disso, propõe a adoção de soluções mais eficientes, como formulários web, para eliminar barreiras de instalação de softwares locais.

Apelo à Neutralidade de Formato

A fundação responsável pelo LibreOffice argumenta que a imposição do formato .xlsx pela Comissão Europeia prejudica indivíduos, organizações não governamentais e administrações públicas que adotaram soluções de código aberto. Essa falta de neutralidade de formato vai contra os princípios da União Europeia em relação à redução da dependência tecnológica estrangeira.

A ironia da situação é evidente no fato de que a consulta pública em questão tratava da Lei de Ciber-Resiliência da União Europeia, proposta justamente para reduzir riscos relacionados à dependência tecnológica. A proposta de disponibilizar formulários em formatos abertos busca garantir a acessibilidade e interoperabilidade, elementos-chave em um contexto de governança digital transparente.

A longo prazo, a abordagem da Document Foundation visa incentivar a União Europeia a abandonar a dependência de formatos de arquivo específicos em favor de soluções mais universais e eficientes. Essa mudança poderia representar um avanço significativo na promoção da neutralidade tecnológica e na criação de um ambiente digital mais democrático e acessível.

É fundamental que os órgãos governamentais estejam atentos não apenas à legalidade de seus processos, mas também ao impacto prático de suas escolhas em termos de inclusão digital e respeito aos princípios de soberania e independência tecnológica.

Impacto e Mobilização

A atitude da Document Foundation em cobrar a neutralidade de formato da Comissão Europeia reflete a importância de garantir a interoperabilidade e acessibilidade no ambiente digital. Ao convocar a comunidade de software livre a enviar manifestações de apoio, a fundação busca ampliar a conscientização sobre a importância de escolhas tecnológicas transparentes e inclusivas.

A mobilização em torno dessa questão não se restringe apenas ao âmbito técnico, mas também carrega consigo uma mensagem política e social. A necessidade de promover a diversidade de soluções tecnológicas e a liberdade de escolha é fundamental para assegurar um ambiente digital democrático e equitativo.

Ao questionar a dependência de formatos proprietários e defender a neutralidade de formato, a Document Foundation desempenha um papel crucial na promoção de práticas mais éticas e transparentes na governança digital. Essa postura estimula o debate em torno da soberania tecnológica e da importância de garantir a inclusão de todos os cidadãos em um mundo cada vez mais digitalizado.

A transformação digital exige não apenas avanços tecnológicos, mas também uma reflexão sobre os valores e princípios que orientam nossas escolhas no ambiente cibernético em constante evolução.

Em um mundo cada vez mais interconectado, a transparência, a acessibilidade e a neutralidade de formato tornam-se aspectos essenciais para garantir a inclusão digital e a soberania tecnológica. A mobilização em torno desses princípios é fundamental para construir uma sociedade digital mais justa e democrática.

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Criado com Por : Leonardo Pederzoli